sábado, 17 de setembro de 2011
A Despedida do Velho Leão
domingo, 22 de maio de 2011
Da última vez
Ou da última vez que nos falamos
Ou melhor, mal nos falamos
Depois de tanto tempo separados
Senti um olhar às minhas costas
Virei e te vi
Oi, você disse
Oi, respondi
E não disse mais nada
Grande orgulho
Grande arrependimento
sábado, 21 de maio de 2011
Para Winnie Cooper no dia de seu casamento
segunda-feira, 4 de abril de 2011
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Dois caminhos
Caminho altivamente sem desvios
Ultrapasso os obstáculos
Derroto os desafios
Sujo meus pés de lama
Atravesso cordilheiras e desfiladeiros
As pedras do caminho não me detêm
Enfrento cobras e crocodilos
Sem me desviar por um milímetro
Chego ao topo
Atinjo o objetivo
Mas sozinho
Por você sigo tortuosamente
Vacilo nas encruzilhadas
Às vezes mudo de idéia
Não sei ao certo para que lado vou
Sigo em círculos
Me perco
Retorno alguns trechos
Não tenho guia
Me afasto do objetivo
Às vezes me aproximo
Esse caminho não é direto
Mas é o único verdadeiro
sábado, 22 de maio de 2010
Curtas linhas
Escreveria um soneto
Belo como Vinicius teria feito
Como não sou
Então me contento
Com parcas linhas
Cheias de sentimento
Minha musa não saberia
Envergonhado de minha arte
Para ela eu nunca mostraria
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Algumas respostas
Desculpe se te firo
Só faço isso porque te amo
Me perdoe por não demonstrar
Mas não duvide que eu sinta
Sei que existem os dias difíceis
Amar nos fáceis teria pouco valor
Acredito num futuro longo
De cujo passado
Apenas as coisas boas restarão
Às vezes me desfaço da forma
Pra valorizar o conteúdo
Saiba que terás sempre meu amor
E que estarei sempre ao seu lado
Tanto nos bons como nos maus dias
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Sem nome
Quem não sabe o valor que tem
Pois é com pequenos ou grandes gestos
Que a chama se mantém
Quem se encanta e se entrega
Descrente de dor
Pula sem temer a queda
Nem duvidar do amor
Somente quem compõe
Sem vergonha e sem pudores
Não perde tempo e nem se opõe
Das certezas e dos amores
sábado, 8 de maio de 2010
A dúvida dela
Mas ela não sabe
Corro atrás
E ela não percebe
Digo coisas
Que ela não ouve
Faço pedidos
Mas ela não cumpre
Espero por ela
Que não se decide
O Soldado ao Final da Guerra
E terra remexida
Ao final da guerra
O soldado caminhou
Entre corpos apodrecidos de tanques e veículos
Ossos e crânios de velhos adversários e aliados conhecidos
O soldado procurou
Entre a destruição de seu país
De seu mundo e de sua vida
O soldado revirou
No meio do todo este nada
Que era um monte de tudo
O soldado finalmente encontrou
O velho anel de prata
Que no bolso
Por toda a guerra carregou
Enquanto sonhava com o retorno
Aos braços da amada
Mas ao lembrar do valor
Daquele pedaço brilhante de metal circular
Que estava todo sujo de terra
Derramou uma lágrima
A compreensão de que só restara ele
E que seria só daquele dia em diante
De todas as perdas e feridas
Essa era a que mais doía
A que mais feria...
Quanto ao anel
Em vez de guardar novamente no bolso
Como fizera durante toda a guerra
Preferiu enterrá-lo bem fundo na terra remexida
Entre metal retorcido, tanques apodrecidos
Entre ossos e crânios conhecidos
De conforto aquele anel não mais serviria
Como durante toda a guerra havia sido
Em vez de consolar
A dor da solidão temporária
O anel personificava
A eterna lembrança do que nunca voltaria
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Fim
E somente no final
Quando o silencio é mais alto que o farfalhar das árvores
E já suplanta o som da chuva
Quando as feridas já parecem cicatrizadas
Desde que não tocadas
Quando o calor das brigas
Vira um mero e distante sussurro
Quando o sentimento não dói
E nem alegra
É nesse final e somente nele
Que deve ser iniciado o doloroso trabalho de destruição das fotos
Pois no final
Já não há motivos
E nem tempo
Para arrependimentos
sábado, 24 de abril de 2010
A Mentira
Companheira nas noites sombrias!
Falso conforto das almas vazias!
Amiga de todas as formas de vilania!
Feia e fria
Suja, esfarrapada
E ladina!
Ou elegante e bonita
Esbelta, perfumada
E altiva!
Não importa o formato
Nem mesmo o motivo!
És tu, ignóbil e traiçoeira
Mentira!
Mas, o que será a mentira?
Será a cobra que morde aos incautos e crédulos?
Um agravante a um fato muitas vezes pequeno?
Ou a prorrogação frustrada de um pecado mortal?
Oh, Mentirosos!
Se acham piedosos na vã tentativa
De evitar uma desnecessária agonia
Mas não passam de egoístas
Sem coragem de enfrentar sua própria perfídia!
Não mentem para nós, mas para si
Para acalmar sua própria consciência ferida!
domingo, 20 de setembro de 2009
Epifania
Em frente ao hotel
A espera não deveria passar de dez minutos
Mas foi o suficiente para ver a encruzilhada
Dez anos atrás decidi seguir um caminho
Por estradas tortuosas avancei e recuei
Tentei seguir em frente
Mas esqueci para onde ia
Naquele momento percebi
Havia chegado ao destino
Exatamente um minuto atrás
Para frente não havia caminho visível
Percebi apavorado estar perdido
Deslocado como há dez anos não sentia
Compreendi que havia um novo caminho
Ainda a ser traçado
E seguir
Se essa escolha fosse minha
Em meio às reflexões
Decidi que conquistaria lugares e pessoas
E até aonde iria
A velha canção que tocava no rádio
Cujo nome não lembro ou nunca soube
E recordei de coisas que não faziam falta
Até aquele momento
E percebi
Que meu novo objetivo eram os lugares e pessoas
Que eu tive dez anos atrás
Mas que tinha deixado para chegar ao objetivo
Conquistado há um exato minuto
Meu novo rumo seria retomar tudo aquilo?
Retornar para o que não importava há dez anos atrás?
Não!
Foi quando me dei conta que há dez anos atrás
Eu não tinha conquistado lugares e pessoas
O que eu tinha ganhei apenas
E por isso não valia
O que importa não é ter lugares e pessoas
Mas conquistar lugares e pessoas
Durante aqueles dez minutos de espera
Em frente ao hotel
Naquela noite escura de outono
Retomei dez anos na minha vida
Vivi novamente os dez anos
E vivi os dez anos a partir deste ponto
Exatamente um minuto atrás
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A camponesa
Ela adorava as cores
Principalmente o amarelo das flores
E o verde dos bosques
No inverno gostava de ver os desenhos congelados na janela
Um dia ela mudou para uma grande cidade
A mais européia de todas
Com muitos casarões e palácios
Que brilhavam no escuro das noites azuis
E nas estreitas ruas de paralelepípedos ecoavam os passos das carruagens
Ela foi viver na capital de seu país
Um lugar com cores diferentes e desenhos retos
Apesar da solidez dos prédios quadrados
Ela foi muito feliz em meio à bonecas de porcelana, vestidos de renda e ao som da balalaica
quarta-feira, 17 de junho de 2009
A Carta
Estou em meu apartamento
Sentado na sala em frente a uma grande mesa
Limpo uma velha faca de prata
Sobre a mesa vários livros de poetas malditos, ferramentas e fumo
Atrás de mim, na janela, um relâmpago corta o céu escuro
Sua luz é muito fraca para iluminar a sala
Seu som está muito longe para que eu possa ouvi-lo
Mesmo assim, sinto o relâmpago
Uma tempestade está chegando
Caminho só pelo centro da cidade
É noite
Ando pelas ruas vazias e o som da sola de meus sapatos ecoa no asfalto
As luzes dos postes são fracas e intermitentes
Viro em uma rua larga de prédios altos
Um mendigo que dorme enrolado em sacos plásticos me lança ameaças, mas não se levanta para concretizá-las
Os trovões rompem o silêncio da noite
Paro em frente ao maior dos prédios
O porteiro estranha o horário, mas me conhece
O elevador faz muitos barulhos e treme
Olho para a porta elegante de um escritório
Tenho as chaves
Reviro todos os arquivos
Vasculho nos computadores
Lá fora os trovões ficam mais freqüentes
Periferia
Estou em frente a casa onde cresci
O enorme muro de pedras esconde a fachada
A cerca de arame farpado circular é nova, lembra um campo de concentração
A rua está completamente vazia e cheia de lixo
Pulo o muro
O cheiro de mofo enche minhas narinas
Ando pela casa abandonada
Meu pai morreu há quinze anos, minha mãe há seis
Um rato corre por entre meus pés
Procuro desesperadamente na estante de livros
Lá fora, um uivo é seguido pelo som da chuva castigando as telhas
A madeira do piso range a cada passo, exatamente como eu me lembrava, apenas mais escuro
Estou novamente em meu apartamento
Encharcado e sujo de terra
Pela janela posso ver a tempestade, com muitos raios e trovões
No armário, abro uma caixa pela primeira vez em anos
Lá está o livro
Ele me deu antes de morrer
Nunca li
E lá está a carta, usada como marcador na mesma página em que ele parou a leitura
Silêncio
sábado, 14 de março de 2009
Admito
Mas antes de buscar outros caminhos
Senti saudades
Primeiro ciúmes
Que logo ignorei
E tentando resistir
Eu confessei
Na minha dúvida
Duvidei de duvidar
Felizmente acordei
Admito
Felicidade
Eu consigo definir o significado da felicidade
Como uma situação em se tem tudo o que precisa
Mesmo tendo nada ou muito pouco
Como uma vez na praia
Deitado no colo da amada antes do pôr do sol
Ou aquela tarde na piscina com os amigos
Ainda talvez numa noite de domingo
Em que pedimos pizza e uma coca-cola tamanho família
MELANCOLIA
Existem momentos que fico tão triste
E sinto vontade de retornar para minha terra natal
O problema é que esse lugar não existe
Trata-se de uma cidade de novela regional
Com trilha sonora do Milton Nascimento
Cujas noites são enluaradas
E assombradas por um lobisomem
No final da tarde a agradável brisa fresca
Me arrepia os pêlos do braço
E o cheiro da grama molhada
Compensa os mosquitos esbarrando em nossos corpos
Tenho saudades dos amigos que nunca tive
E daqueles belos tempos que nunca existiram
Mundos e fundos
Dirijo com uma mão só
enquanto a outra se apóia na janela aberta
O vento bagunça meu cabelo
Não é um conversível
mas o teto solar cumpre esse papel
Poderia ver as estrelas
mas mantenho os olhos fixos no horizonte ao final da estrada
Estaria com meus óculos escuros
mas já é noite
Naquele bar a cerveja é gelada
Bebi muitas conversas por lá
Hoje não conheço ninguém
então não vou pagar pra entrar
No som toca um intricado bebop
provavelmente Charlie Parker
Sempre acho que é Charlie Parker quando o jazz é intricado
Na mesa dos fundos
tomo um duplo 12 anos
Na mesma mão seguro meu charuto
Lentamente a fumaça vai subindo até se espalhar no teto baixo
Enquanto isso
as pessoas entram
as pessoas riem
as pessoas dançam
as pessoas saem
Não sei pra onde vou
nem se quero chegar lá
O lugar que queria ir já não existe mais
As notas do piano gotejam sobre mim
e me lembram que não tenho casa
O ritmo dos tambores diminui
O ataque aos pratos dá lugar a um arrastado e repetitivo chiado
Não, isso não é bebop
Estou na praia
pelo menos é o que diz a brisa fresca
O chiado do mar nos fundos confirma a tese
Conversamos noite afora
Atiro as bitucas de cigarro nos fundos da piscina vazia
Eu odiava aquela cidade
mas sinto saudades
Naquela noite não rolou nenhum beijo
mas foi tão bonita
Da que rolou não tenho lembrança alguma
Ainda teremos outras lembranças como essa
No final da festa
Quando os convidados começam a se retirar
Já um tanto quanto bêbados
A música toca mais baixa ao fundo
Fiquei sozinho no terraço
Sentindo a brisa da madrugada
E lembrando daquela tarde inocente
Quando podíamos ser o que quiséssemos
Antes do destino nos forçar
Nos tempos em que ainda não éramos
Aquilo que sempre tememos